R.'.E.'.A.'.A.'. - RITO ESCOÇÊS ANTIGO E ACEITE
A MAÇONARIA FILOSÓFICA OU ALTOS GRAUS: ORIGEM
O mestre maçom investigador, insatisfeito com os conhecimentos até então adquiridos, procurou uma forma de se aprimorar e obter respostas às grandes questões existenciais. Daí a procura e a razão da existência dos Altos Graus.
O REAA nasceu na França, vindo, provavelmente de corporações escocesas de Kilwining, na Escócia. Maçons do Oriente, após guerras na Palestina, teriam se deslocado para a Escócia e foram os responsáveis pela disseminação da maçonaria, muito mais que a Grande Loja da Inglaterra. No Século XVII proliferava o comércio de altos graus, de toda sorte de ritos, com aventureiros aproveitando-se da crendice e vaidade humanas. Em 24 de novembro de 1754, foi fundado na França o Capítulo de Clermont, num sistema escocês de 7 graus. Seu fundador foi o Cavaleiro de Bonneville.
Em 1758, foi fundado, por Pilet, em Paris o “Conselho Soberano dos Imperadores do Oriente e do Ocidente, Grande Loja de São João de Jerusalém”, criando um sistema de Altos Graus, limitado a 25, sistema oficializado em 1762. A partir de 1758, até 20/9/1762, o Capítulo de Clermont incorporou-se ao “Conselho dos Imperadores”. Nesta data, a nova potência sancionou a Grande Constituição de Bordeaux, contendo 35 artigos, sistema de 25 graus, institutos, estatutos, regulamentos e instruções suplementares. O “Conselho dos Imperadores” tinha como corpo máximo o “Consistório dos Príncipes do Real Segredo”. Este Conselho dos Imperadores, em 27/8/1761, nomeou Etienne (Stephen) Morin, judeu parisiense, Deputado e Grande Inspetor em todas as partes do Novo Mundo e lhe forneceu uma Patente que o autorizava a instalar Corpos Maçônicos de todos os graus do sistema de 25 graus. Esse sistema de 25 graus vigorou nos Estados Unidos até 1801. Morin, ainda em 1761, foi para a Ilha de San Domingos, hoje Haiti, e fundou em Le Cap, capital da metade ocidental francesa, a Maçonaria Escocesa, iniciando e substabelecendo seu poder a outros 16 cidadãos, dos quais 13 eram judeus. Outorgou-lhes o título de
Grandes Inspetores Gerais Adjuntos. Um deles, o Ir\ Hyman Isaac Long, substabeleceu, depois, seus poderes a outros.
Jean Baptiste Marie Delahogue, francês, em 1773, estava em Le Cap, onde ocupava o cargo de Notário. Alexandre François Auguste de Grasse (ou Auguste de Grasse-Tilly) foi para Le Cap em 1788. Lá conheceu Delahogue e casou-se com sua filha em 1789. Grasse-Tilly, militar, coronel, combateu a insurreição dos “mulatos” em Le Cap, que foi incendiada pelos amotinados. Fugiu para Charleston, Carolina do Sul, USA, em 1793. Delahogue e Grasse-Tilly (sogro e genro) estavam em Charleston em 1793. Não há provas de que já tivessem sido iniciados. Em 1795, apareceram Delahogue e Grasse-Tilly como fundadores da Loja “La Candeur”, cujo quadro era formado por católicos romanos. Em 1798, De Grasse-Tilly já era venerável desta Loja.
Em 1796, Hyman Isaac Long, discípulo de Morin, instalou em Charleston um “Grande Consistório dos Príncipes do Real Segredo”, para trabalhar o grau 24 da Constituição de 1762. Concedeu patentes de “Deputado Grande Inspetor Geral” a 7 Maçons, entre eles Delahogue e Grasse-Tilly e concedeu-lhes outra Patente que os autorizava a instalarem o Grande Sublime Consistório dos Príncipes do Real Segredo, o que foi feito em 1797. Claro era o objetivo da maçonaria francesa de organizar uma maçonaria escocesa regular no novo mundo, em território americano, de acordo com a Patente de Morin de 1761.
Em 31/5/1801, foi anunciada a fundação do “The Supreme Council of the 33rd Degree for the United States of America”, lideradas pelos IIr.: John Mitchell e Frederick Dalcho. A fundação foi concretizada em 1802, com 9 fundadores, entre os quais Delahogue e Grasse-Tilly. Interessante notar que em um quadro de fins de 1802 daquele Supremo Conselho não consta os nomes de Grasse-Tilly e Delahogue, que assumiram os cargos de Soberano Grande Comendador e Lugar-Tenente Comendador nas Índias Ocidentais Francesas, respectivamente.
Em 22/9/1804, Grasse-Tilly retorna à França, que se encontra em grande agitação maçônica, com dissidências e querelas nos Altos Graus. Funda o “Supremo Conselho para a França”, permanecendo como Soberano Grande Comendador nos períodos 1804-1806 e 1818-1821. Faleceu em 14/4/1822. O Conde de Sussex, Grão-Mestre da Grande Loja Unida da Inglaterra (fusão da Grande Loja de Londres e da Grande Loja de York) obteve, em 1819, uma Patente concedida por Decazes, Soberano Grande Comendador da França, para a fundação do Supremo Conselho do Rito Escocês para a Inglaterra. Para preservar a unidade da maçonaria inglesa, deixou de cumprir seu intento, dirigindo sua Potência com mãos de ferro.
Em 12/11/1832, Francisco Gomes Brandão, o Montezuma (Francisco Gê Acayaba de Montezuma) funda o Supremo Conselho do Grau 33 do Brasil, recebendo os documentos que lhe conferiam o direito em 23/2/1834, do Supremo Conselho dos Países Baixos. Mário Behring, aproveitando-se de cargos ocupados no Grande Oriente do Brasil, apoderou-se de documentos importantes e da Patente do seu Supremo Conselho. Com ela, fundou, em 1927, as Grandes Lojas do Brasil e seus Altos Corpos.
Em 1973, provocado pela crise no Grande Oriente do Brasil, foram fundadas as Potências Simbólicas Independentes, originalmente agrupadas no Colégio de Grãos-Mestres e, hoje, formando a COMAB, Confederação Maçônica do Brasil. Foram, também, fundados os Supremos Conselhos Estaduais, hoje em número de 10, independentes, coordenados e em sintonia através da Excelsa Congregação.
Os documentos básicos dos Altos Corpos Filosóficos, em ordem cronológica, são:
· O Discurso de Ramsay, de 1737, publicado em 1738.
· A Constituição de 1762, emanada do Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente, complementada por Estatutos, Institutos e Regulamentos Gerais; a Patente de Morin.
· Os Novos Institutos Secretos e Fundamentais, que, falsamente atribuídos a Frederico II, embora sejam posteriores, constam com data de 1786.
· As Constituições, Estatutos e Regulamentos para os governo do Supremo Conselho dos Inspetores Gerais, também atribuídos a Frederico II e com data de
1786, embora sejam posteriores.
· As resoluções do Congresso de Lausane, de 1875.
A DEFESA DO RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITE
O Supremo Conselho da França, o 1º Supremo Conselho europeu, julga-se no dever e no direito de preservar o rito em sua essência. Em 1996, juntamente com o Supremo Conselho da Bélgica (um dos componentes do Supremo Conselho dos Países Baixos, fundado em 1817), criaram um grupo que tinha como objetivo restaurar o rito em sua origem, em sua essência. A eles se juntaram Supremos Conselhos de países europeus e africanos, dadas as influências da França e Bélgica na África. Criaram um grupo que se reuniu em 1996 em Paris e em 1998 na Bélgica. Aí estava fundado o Grupo dos Signatários das Resoluções de Paris, Gand, agora acrescidos daquelas tomadas em reuniões em Atenas e Belgrado e Libreville.
Essas resoluções procuram caracterizar o R.'.E.'.A.'.A.'. em sua essência, sem importar com os acessórios. Assim, pode-se restabelecer a origem e os pontos fundamentais do rito. O rito foi muito deturpado no tempo e no espaço. Os americanos o alteraram profundamente, fazendo com que ele se tornasse uma forma de ascensão econômica e social, deixando os verdadeiros valores intrínsecos da pessoa humana, da busca da verdade e do aprimoramento interior.
Abaixo os pontos fundamentais do R.'.E.'.A.'.A.'. aprovados pelos Signatários e que caracterizam a sua regularidade:
1. O processo iniciático é uma busca espiritual que se apóia na invocação de um Princípio Superior ou Criador, com o nome de Grande Arquiteto do Universo.
2. Presença do Livro da Lei Sagrada aberto sobre o Altar dos Juramentos. Como tal, entende-se, para nós, a Bíblia.
3. A referência aos Documentos de Fundação, as Constituições e Regulamentos de 1762 e as Grandes Constituições de 1786 e as Resoluções do Congresso de Lausanne de 1875, tais como adotados por todos os Supremos Conselhos do Mundo.
4. O uso dos dísticos “Ordo ab Chao” e “Deus Meunque Jus”.
5. O respeito ao processo iniciático.
6. Não aceitar a maçonaria mista e não admitir mulheres nos trabalhos regulares das lojas.
7. O caráter aberto e adogmático da espiritualidade.
O Grupo Internacional do R.'.E.'.A.'.A.'. preocupa-se com a essência do Rito, conforme resoluções aprovadas e descritas acima. Não leva em consideração particularidades e tradições, seja nos rituais, nos paramentos e outros aspectos acidentais da execução do rito. Para exemplificar, entre os membros desse grupo, os Grandes Inspetores Gerais. Membros Efetivos ou não, usam somente a faixa do grau 33, sem avental e barrete. O Soberano Grande Comendador usa somente o colar do cargo, sem barrete e avental. Tudo muito simples e despojado de pompas. Os rituais também apresentam diferenças. O Supremo Conselho da França, pelo que informaram, eliminou todas as alterações que porventura foram feitas no tempo e retornaram aos rituais originais de 1804. Citando um exemplo, o grau 31, o Grande Tribunal, tem como tema a cripta dos sábios. O Tribunal Vêhmico, do contraditório Frederico II, não consta nos rituais do R.'.E.'.A.'.A.'.. O grau 32 fica somente com o Grande Acampamento. Há também mudanças no graus que são iniciáticos e nos que são
de comunicação. Há uma preocupação constante entre os Supremos Conselhos que compõem a Excelsa Congregação para a adequação dos rituais que utilizamos em nossas Templos no sentido de praticar a pureza do R.'.E.'.A.'.A.'.. Diálogos têm sido mantidos com o Supremo Conselho da França, que seria o guardião dos princípios que devem nortear os nossos procedimentos em Loja, fruto de pesquisas que levaram ao retorno dos rituais originais.
Há algumas diferenças, pequenas, não preocupantes, que podem ser trabalhadas no sentido de uma prática uniforme, sobretudo naquilo que representa a essência da filosofia escocesa.
A ESSÊNCIA DO R.'.E.'.A.'.A.'.
O R.'.E.'.A.'.A.'. pode ser definido como um sistema de ensino e aprimoramento humano, dividido em grupos e graus. Os três primeiros graus formam a chamada Maçonaria Azul, que agrega as Lojas Simbólicas, os graus 1, 2 e 3, Aprendiz, Companheiro e Mestre, respectivamente. O reino é o mineral. É a fase em que se deve trabalhar a tolerância, no desbaste da Pedra Bruta. O grupo seguinte, dos graus 4 ao 14, ditos Inefáveis, tem a cor verde como símbolo e simboliza a transição entre o azul e o vermelho. O reino é o vegetal e dá seqüência ao processo de aprimoramento do Homem Maçom.
Os graus 15 ao 18 formam os Capítulos e são os graus da expansão, simbolizado pelo vermelho, a cor do sacrifício. O reino é o animal. São graus caracteristicamente espirituais.
Os graus 19 ao 30 estão inseridos nos Conselhos de Kadosh, simbolizados pela cor negra, a cor do luto e da tristeza e que tomam conta do Iniciado ao julgar que seu sacrifício e ardor foram em vão. É uma fase de elevação rápida. O reino é o humano.
Chega-se, finalmente, ao Supremo Conselho, representado pela cor branca, que simboliza a paz e a serenidade do Iniciado, quando alcança a plenitude e desenvolveu a espiritualidade pura, livre de qualquer sentimentalismo. O reino é o divino.
Autor: Wagner Colombarolli
Graus do R.·.E.·.A.·.A.·. :
1. Aprendiz
2. Companheiro
3. Mestre
4. Mestre Secreto
5. Mestre Perfeito
6. Secretário Íntimo ou Mestre por Curiosidade
7. Preboste e Juiz
8. Intendente dos Edifícios
9. Cavaleiro Eleito dos Nove
10. Cavaleiro Eleito dos Quinze
11. Sublime Cavaleiro dos Doze
12. Grão-mestre Arquitecto
13. Cavaleiro do Real Arco
14. Prefeito e Sublime Maçon
15. Cavaleiro Do Oriente
16. Príncipe de Jerusalém (Grande Conselheiro)
17. Cavaleiro do Oriente e do Ocidente
18. Príncipe Rosa-Cruz
19. Grande Pontífice ou Sublime Escocês
20. Soberano Príncipe da Maçonaria ou Mestre "ad vitam"
21. Cavaleiro Prussiano ou Noaquita
22. Cavaleiro Real Machado ou Príncipe do Líbano
23. Chefe do Tabernáculo
24. Príncipe do Tabernáculo
25. Cavaleiro da Serpente De Bronze
26. Príncipe da Mercê ou Escocês Trinitário
27. Grande Comendador do Templo
28. Cavaleiro do Sol ou Príncipe Adepto
29. Grande Cavaleiro Escocês de Santo André da Escócia ou Patriarca das Cruzadas
30. Grande Inquisitor, Cavaleiro Kadosh ou Cavaleiro da Águia Branca e Negra
31. Grande Juiz Comendador ou Inspetor Inquisidor Comendador
32. Sublime Cavaleiro do Real Segredo ou Soberano Príncipe da Maçonaria
33. Soberano Grande Inspector-Geral.
Graus e Simbolismo:
1º
2º
3º
4º
5º 
6º
7º
8º
9º
10º 
11º
12º
13º
14º
15º 
16º
17º
18º
19º
20º
21º
22º
23º
24º
25º 
26º
27º
28º
29º
30º
31º
32º
33º





