Portal da Maçonaria Universal em Portugal

Um Espaço para Todos ...

  • Aumentar o tamanho da fonte
  • Tamanho padrão da fonte
  • Diminuir tamanho da fonte
Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

ENTREVISTA AO GRÃO-MESTRE DA GRANDE LOJA NACIONAL PORTUGUESA (GLNP) - REVISTA TRIBUNA DO DOURO

MAIO 2010

 


 

Álvaro Carva é um especialista reconhecido em Comunidades Europeias e Direitos Humanos. Quadro bancário, nasceu em Angola, de onde veio, muito jovem, viver entre as fragas trasmontanas e no meio das suas gentes que, como salienta orgulhosamente, muito ama. Contudo, como outros grandes trasmontanos e durienses, é um cidadão urbano e universal. Ao longo da sua vida, com cinquenta anos de idade, realizou diversas intervenções na sociedade civil. Viajante incansável e reconhecido internacionalmente pelas suas qualidades de comunicação, é um conhecedor profundo dos temas que domina. Recebeu, recentemente, da câmara municipal do Rio de Janeiro uma moção de Honra ao Mérito pelos seus esforços em incrementar e enriquecer as relações entre Portugal e o Brasil. A Academia de Letras e Artes do Brasil e outras entidades internacionais têm-no honrado com Diplomas de Mérito e distinguem-no em conjunto com outras personalidades, Álvaro Carva é professor "Ad honorem" do departamento de Filosofia do reconhecido Institut lnternational des Sciences Politiques [IICP – IISP). membro das Nações Unidas, com sede em Madrid. Álvaro Carva é ainda membro do Conselho Científico do referido Instituto, em conjunto, com o prof. Mário Soares, prof. José Manuel Durão Barroso, prof. Marceau Long, vice-presidente Honorário do Conselho de Estado Francês, prof. Francisco Javler Rojo Garcia, presidente do Senado Espanhol, prof. Carme Chacon Piqueras, Ministra da Defesa do Estado Espanhol, prof. Ellen Kennedy, professora de Direito Constitucional e Ciência Política da Universidade da Pennsylvania, [Filadélfia], entre outras prestigiadas personalidades. Este Conselho Cientifico é presidido pelo prof. D. Manuel Balado, presidente e director da Cátedra UNESCO de Ciência Política e Administrativa e professor do ['Institut d'Études Politiques d'Aix-en-Provence. Foi este trasmontano, despretensioso, culto e Maçon convicto que nos franqueou a porta de sua casa e, como Grão-Mestre da Grande Loja Nacional Portuguesa (GLNP). sem peias nem restrições, se dispôs a conceder-nos a entrevista que a seguir transcrevemos onde, em exclusivo para os nossos leitores, levanta o véu sobre uma das organizações que, sem qualquer dúvida, tem marcado, pelo menos, desde o séc. XVIII, a evolução política, social e cultural do mundo

 

 

ENTREVISTA

Álvaro Carva

 

Grão-Mestre, o que é, na realidade, ser Maçon?

Trata-se de um homem iniciado nos mistérios da maçonaria, amigo dos ricos e dos pobres, amante da sabedoria, da virtude e da justiça. Trata-se de um homem que concebe os mais belos ideais dos valores morais, de honra, a fim de servir a humanidade.

 

O que é a Maçonaria?

A Maçonaria é uma instituição para a iniciação espiritual através de símbolos, segundo o Congresso de Grão-Mestres, celebrado em Estrasburgo em 1952.

 

Por que princípios se rege a Maçonaria?

Pelos valores humanistas, praticando uma abordagem espiritual e não dogmática, com a condição de não tratarem em Loja assuntos políticos e religiosos, pelo respeito da dignidade humana.

 

Como escolhe a Maçonaria os seus seguidores?

A Maçonaria expressa o diálogo sobre todas as formas e, por isso, está aberta aos contactos que lhe cheguem de forma directa ou por intermédio das propostas apresentadas internamente.

 

Que intercambio existe entre a Maçonaria e as outras ciências?

A Maçonaria estimula o intercâmbio entre todas as filosofias, ciências, espiritualidade, valores éticos e religião, reconhecendo que a diversidade é um recurso de diálogo que tem por base todos os seres vivos e uma solidariedade essencial para a fraternidade maçónica.

 

Há quem acuse a Maçonaria de apenas ser um "lobby" que concorre com a Opus Dei para o domínio da política nacional. O que tem a dizer sobre isso?

A Maçonaria está ligada à liberdade de consciência individual e dos valores da laicidade aberta, acolhedora, e recusa-se transformar este princípio num processo ideológico agressivo. Por isso, não concorremos com outras organizações e nem alimentamos qualquer fundamentalismo, seja ele político, religioso e muito menos ideológico e dogmático.

 

Que valores utiliza a Maçonaria?

Para além dos valores que já abordei, a "Liberdade - Igualdade - Fraternidade" estão nos princípios da Maçonaria e da Grande Loja Nacional Portuguesa, bem como das restantes organizações do nosso grupo. São grandes obediências nacionais inscritas numa Ordem Iniciática e Tradicional mundial.

 

Ordem Iniciática?

Sim, uma Ordem Iniciática que se propõe trabalhar com um Rito, o Rito Escocês Antigo e Aceite.

 

Um processo colectivo?

Exactamente o contrário. Um processo, ou marcha individual, centrada sobre a espiritualidade, no seio de uma reflexão colectiva realizada na sua Loja e no respeito absoluto da Liberdade de consciência.

 

Pode-se considerar a Grande Loja Nacional Portuguesa uma Ordem Tradicional?

Trata-se, de facto, de uma Ordem Tradicional que vive sobre um selo, uma regra, uma orientação dos seus membros para contribuírem, pessoalmente, na emancipação pacífica e progressiva da Humanidade.

 

Qual a finalidade dessa Ordem?

A construção de um novo Humanismo, desenvolvido sobre o Homem e que acolhe a reflexão, numa dimensão Ética privilegiada na busca da Verdade, da Exigência, da Justiça e da Igualdade.

 

Falou no Rito Escocês Antigo e Aceite. Em que consiste?

Foi um Rito formalmente desenvolvido, tendo por base os elementos ritualísticos desenvolvidos pelos franceses.

 

Têm alguma organização que dirija esse rito?

A Maçonaria da Obediência é orientada pela Grande Loja Nacional Portuguesa e, naturalmente, tem no Grão-Mestre a liderança representativa. Na Potência [Supremo Conselho] é orientada pelo seu representante que denominamos de Soberano Grande Comendador para o Rito Escocês Antigo e Aceite. Na Grande Loja tratamos o rito do 1° ao 3° grau. No Supremo Conselho desenvolvemos o Rito do 4° ao 33° e último grau da Maçonaria.

 

Não há mais do que um rito?

Existem diversos ritos mas, na Grande Loja Nacional Portuguesa, praticamos somente o Rito Escocês Antigo e Aceite. Na Grande Loja Unida de Portugal praticam o Rito Francês, o Rito Escocês Rectificado e o Rito Escocês da Escócia. Uma Estrutura que foi consagrada pelo Grande Priorado das Gálias, em Paris, e que lhes permite trabalhar com total regularidade e legalidade profana e maçónica.

 

Diz-se que, internamente, os maçons adoptam nomes simbólicos. É verdade ou são conhecidos pelos seus nomes próprios?

Na Maçonaria Regular de base tradicional não utilizamos nomes simbólicos. Mas não devo proibir que um maçom escolha, no acto da sua iniciação, um nome simbólico. O nome simbólico foi muito usado nos começos do século XIX e justificava-se pelas perseguições que a Maçonaria sofria. Hoje trata-se de uma tradição e de se preservar a memória de individualidades falecidas, com as quais o neófito (o recém-ordenado) julga identificar-se. Ou cuja influência e exemplos o marcaram, ou nome e figuras mitológicas que o incentivem ao estudo.

 

Ao prepararmos este tema, cruzámo-nos com a frase "Nom Nobis Solum Nati Sumus, Ortusque Nostris Partem Pátria Vindicar". Por que usam esta fraseologia?

A frase que encontrou refere-se a uima inscrição presente no ritual do 32° grau do Sublime Príncipe do Real Segredo do REAA, quando, de forma clara, dizemos que "não nascemos só para nós e a pátria reclama para os nossos uma parte da nossa origem".

 

Qual a função de um oficial na Maçonaria?

Esse nome é aplicado em sentido lato, isto é, trata-se do nome que é dado à função que um maçom ocupa em Loja. Mas também está associado à tradição. Era o nome dado na primitiva maçonaria ao Companheiro.

 

Qual a diferença entre Oficina e Loja?

Trata-se de uma célula ou agrupamento de base da Maçonaria. Em sentido lato, a oficina pode ser uma Loja ou um Triângulo, consoante o número mínimo de Obreiros. Podendo ser adaptado o nome conforme os graus. No 1º, 2º e 3° grau denominamos de Loja. No 4° grau denominamos de Loja de Perfeição para mais tarde denominarmos de Capítulos, Areópagos, entre outros. Usam também palavras hebraicas como OHEB.

 

Qual o seu significado na Maçonaria?

A nossa relação é tradicional. "OHEB ELOAH", como sabe, quer dizer "Amante a Deus" e corresponde aos sete degraus, ou lance direito, da escada presente num ritual dos Altos Graus. Como pode haver quem julgue de forma errada a Maçonaria?

 

Mas a Maçonaria em vez de uma imagem católica usa no centro das suas Lojas um Triângulo. Qual a diferença?

É um triângulo luminoso que simboliza o Princípio ou o Grande /\rquitecto do Universo. Por vezes, desenham, no centro do Triângulo, um olho. Que nem pode ser direito, nem esquerdo, mas impessoal ou abstracto. Que pode ser o Deus que se vê na arte barroca, ou o Sol visível, fonte de luz e vida; mas também simboliza o Verbo, ou o Princípio criador; pode ainda representar a presença omnisciente de Deus; ou da razão superior, ou o dever, ou a consciência.

 

Qual o fim último da Maçonaria?

A Palavra Perdida. Uma palavra simbólica cujo conhecimento se perdeu. A sua busca constitui, em última análise, o fim último da Maçonaria e que está patente nos diversos rituais maçónicos. Simbolicamente procuramos a essência do conhecimento, procuramos a Verdade.

 

Têm relações com a Maçonaria francesa?

Temos relações com centenas de Grandes Lojas e de Grandes Orientes do Mundo.

Em França, temos relações de fraternidade com a Grande Loja de França, com a Grande Loja Tradicional e Simbólica OPERA, com a Grande Loja Regular de França e uma estima muito grande e de convivência fraterna com o Grande Priorado das Gálias.

 

Porquê essa estima com o Grande Priorado das Gálias?

Trata-se de uma Estrutura de filosofia maçónica insular que constituiu e consagrou a Grande Loja Unida de Portugal, uma Grande Loja co-irmã da Grande Loja Nacional Portuguesa. Uma cerimónia que ocorreu em Paris e a que tive o privilégio de assistir, em conjunto com o Grande Oriente de França e com a Loja Nacional Francesa. Como vê, as nossas relações fraternais e de grupo vão muito mais além das nossas fronteiras geopolíticas. Mas a nossa estima é por todos os Irmãos de todas as Obediências c Potências maçónicas de Portugal e no Mundo.

 

De que maneira actua a Maçonaria?

A Maçonaria não se faz representar no mundo profano. Cada Pedreiro-Livre tem a sua vida própria e desligada da organização interna.

 

Como actuam então os Pedreiros-Livres ou maçons no mundo exterior?

Para a Maçonaria e para mim, como dirigente, sou alheio a esse tipo de intervenção e de relacionamento. Para nós, dirigentes, será suficiente que assegurem o espírito da instituição maçónica, as suas orientações gerais e, como consequência, torna-se indiferente que a mesma seja governada por maçons ou por profanos. Apesar de reconhecer que os maçons conseguem transmitir, com mais afinidade, os valores maçónicos que já referi.

 

Há envolvimento da Maçonaria na cultura?

Temos, desde sempre, uma preocupação com a cultura. A ignorância é um combate que os maçons reconhecem fazer, sendo um dos principais desígnios da Ordem. Num País tão atrasado culturalmente, ao longo de séculos, os maçons souberam fazer o seu melhor para o combate ao analfabetismo e no fomento da actividade cultural.

 

Sendo assim os Pedreiros-Livres têm liberdade de actuação?

A Maçonaria concedeu a liberdade plena à acção dos seus Obreiros que podem agir, fundar ou patrocinar qualquer movimento que vá ao encontro dos princípios gerais anunciados. A vida desses organismos passa a depender exclusivamente da sua evolução. Creia-me que há muitos organismos que, ao longo de vários anos, estão reduzidos a uma participação maçónica mínima, senão inexistente. Para nós, os Maçons, o mais importante é sabermos que são obras paramaçónicas, com um profundo espírito da Ordem.

 

Pode dar alguns exemplos?

Posso-lhe falar de algumas que, ao longo do tempo, tiveram esta característica de terem nascido pelos valores que já lhe referi, nomeadamente, as instituições de humanitarismo, do combate à escravatura, do término da pena de morte, organizações que foram fundadas no século XIX e com uma participação maçónica interessante. Relembro-lhe os nossos combates contra a prostituição, o alcoolismo e o jogo já no século XX. No século XXI a intervenção portuguesa de forma livre e espontânea para a paz cm diversos locais do globo.

 

Sabemos que é vedado aos maçons falarem sobre, ou identificarem, os seus irmãos. No entanto ao referir os exemplos das causas humanistas e humanitárias defendidas pela maçonaria elas pressupõem nomes no mundo literário, cultural, politico, industrial e, até, religioso. Poder-nos-á identificar alguns desses vultos que contribuíram para o desenvolvimento e a história da Humanidade?

Cada maçom, no seu acto d iniciação e ao longo da sua evolução que denominamos aumento de salário, compromete-se a não revelar o nome de um Irmão. Um maçom compromete-se também a não revelar o que se passa em cada uma das sessões do respectivo grau. De uma maneira geral, cada um dos maçons não deve narrar pormenores da vida maçónica e nunca devem desvendar a qualidade de maçom de qualquer pessoa. Esta norma tem uma particularidade. Pode revelar se, ele próprio, é maçom.

 

Um segredo dentro do próprio segredo:

Não. Nos actos administrativos de cada sessão em que ele não revela a um profano mas, simultaneamente, também não revela a um maçom de grau diferente o conteúdo dessa reunião, corresponde ao "segredo profissional" dos sacerdotes, dos advogados e dos médicos. Não há nada de extraordinário neste segredo, A Maçonaria é tão secreta como os conclaves c as conferências episcopais de várias igrejas.

 

Mas têm segredos dos ritos?

Sim. Trata-se do segredo do conteúdo ritualístico de cada sessão. Quer profanos  quer para maçons de graus diferentes. Trata-se de garantir a autenticidade das provas a que o candidato é submetido.

 

Ainda não conseguimos que nos indicasse nomes. Está a proteger a qualidade maçónica de algum dos seus irmãos?

Sim, estou a proteger a qualidade maçónica por ter o dever de proteger os maçons contra as perseguições político-religiosas que, de vez em quando, assolam as sociedades. É o meu dever, apesar de este segredo ser relativo. Hoje em dia só quem não estiver atento é que não perceberá que há alguma informação maçónica no exterior da organização. Infelizmente, temos excluído, ou irradiado, alguns maçons ao longo dos séculos. E, pelos vistos, de forma correcta por haver alguns que, mais tarde, acabaram por divulgar parte das vivências. Por isso a minha necessidade de desmistificação da organização sem a quebra de qualquer segredo. Mas dar-lhe-ei nomes que são da nossa memória colectiva.

 

Por exemplo, nomes associados à literatura...

Camilo Castelo Branco e Alexandre Herculano.

 

Podemos saber mais nomes de maçons relevantes?

O Abade Correia da Serra, o Antero de Quental, o Salgado, o Afonso Costa, o Aquilino Ribeiro, o Martins, o Gago Coutinho, o José Damião, o Norton de Matos, o Passos Manuel, o José João Zoio e tantos outros que já partiram para o Oriente Eterno [falecidos].

 

Há quem tenha da Maçonaria a ideia de ser anti-religiosa, mas já o desmentiu ao longo da entrevista. O Criador do Universo é, no fundo, o Deus que tem nomes diferentes nos vários credos monoteístas no Mundo. No entanto, apesar de no seu seio ter, ou ter tido, figuras ligadas à Igreja é ou não anticlerical?

Não, não somos. O anticlericalismo não é uma característica maçónica. Em muitas igrejas, o clero e a maçonaria coexistem harmoniosamente, ingressando muitos sacerdotes na Ordem. Na Ordem ingressaram também muitos homens do Clero Católico. O que acontece é que, nos países latinos, o Clero Católico, sistematicamente, é hostil à maçonaria. No passado, colaboraram com a autoridade civil para a repressão e, até, incitamento das autoridades, para com as actividades maçónicas. Foi dessa forma que se gerou o anticlericalismo, sobretudo a partir do século XIX, Actualmente, o Clero Católico tem um pensamento mais conciliatório e, dessa forma, suscitou uma aproximação à maçonaria. Já houve trabalhos individuais e de conjunto em áreas comuns. Tendo-se assim quebrado, há largos anos, qualquer pensamento ou reserva de anticlericalismo. E a Maçonaria regular de base tradicional, que representamos, não vê, na Igreja Católica, Romana e Apostólica, qualquer adversário e aceita-a como necessária para uma espiritualidade e um modo de viver característico e na sua plenitude.

 

Enquanto Grão-Mestre, com um claro conhecimento da Grande Loja que dirige, a Grande Loja Nacional Portuguesa, como está hoje a Maçonaria em Portugal, no Norte de País e, principalmente na região trasmontana e duriense?

Há muitos maçons desta Região e fico muito feliz que se queiram impor, marcando a história, pessoal e maçónica, que muito orgulhará os vindouros. Os nomes que lhe dei hà pouco deram um grande contributo, e hoje, alguns deles, são referências nacionais e mundiais. É um orgulho para os seus familiares. Passa-se o mesmo noutros locais e noutras regiões. Um envolvimento nacional que prestigia qualquer Pais.

 

Pensa que a Maçonaria pode contribuir, através do tal percurso de aperfeiçoamento espiritual individual, para melhorar o estado do País, aproximando os cidadãos c esbatendo o fosso que existe entre os mais ricos e os mais pobres?

Há uma necessidade no renascimento das forças morais e espirituais nacionais. Por esse facto foi recentemente autorizada pela GLNP, em Lisboa, a criação da Comissão dos Direitos do Homem e de Cidadania a que presido. A nossa reunião teve eco na comunicação social e fez parte dos blocos de notícias globais. Esta Comissão informal receberá todas as organizações maçónicas e profanas que julguem acreditar nesta necessidade que acabei de expor. Com a total independência das organizações, sem qualquer envolvimento maçónico, mas reconhecendo que vale a pena fazermos um percurso, em conjunto, no reforço dos valores espirituais. Fazemo-lo de forma honesta, compreendendo as diferenças de pensamento, mas reconhecendo que os erros passados não podem prejudicar os homens e não podem levar à incompreensão, por exemplo, entre o humanismo cristão e o humanismo laico. Ou entre a espiritualidade e a religiosidade. E o fosso a que se refere será certamente diminuído para que todos possam ser mais felizes.

A comunicação social vai ter aqui um grande papel de divulgação dos resultados anuais, mas também de nos apresentarem questões concretas e prioritárias. Veremos corno agirão os parceiros nacionais. Mas deixe-me esclarecer que não queremos fazer deste acto uma matriz publicitária. A discrição será a ferramenta deste processo. É a nossa forma de estar. Queremos valorizar os parceiros que, em conjunto, irão trabalhar nesta iniciativa. Mas esta é, apenas, uma pequena parte das nossas preocupações. O aperfeiçoamento espiritual e individual dos maçons é o nosso trabalho maçónico, que nos envolve a favor da Humanidade. É por esse que aqui estou. É por esse que lhe estou a falar. Esse, já é um grande desígnio.

 

Tem alguma mensagem que queira deixar aos nossos leitores?

Que acreditem no esforço. Que só têm uma vida e, por isso, devem acreditar que podem ser mais felizes se forem pessoas capazes de planear, trabalhar e realizar. E na certeza que os maçons se esforçam para servirem a Humanidade.